PRODUÇÃO CURRICULAR E DOCÊNCIA NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: MODOS DE ENDEREÇAMENTO INSTAGRAMÁVEL E TIKTOKÁVEL E IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS
Resumo
Este artigo analisa os modos como as ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (IAGen) são divulgadas e direcionadas a docentes para produção curricular, evidenciando suas implicações pedagógicas e relações com a lógica neoliberal. A pesquisa fundamenta-se na perspectiva pós-crítica de currículo, compreendendo-o como artefato cultural e território de disputa política. Metodologicamente, utilizamos a netnografia para investigar perfis no Instagram e TikTok que ensinam professores/as a incorporar IAGen em suas práticas pedagógicas. Os resultados indicam que tais ferramentas são promovidas como soluções rápidas e eficientes, reduzindo o trabalho docente a tarefas operacionais e tecnicistas. Ao priorizar a produção instantânea de materiais padronizados, a IAGen reforça a lógica neoliberal, que busca docentes práticos e reprodutores, em detrimento de sua autonomia intelectual e crítica. Além disso, a dependência dessas tecnologias pode desvalorizar o planejamento pedagógico como ato criativo e reflexivo. Argumentamos que a IAGen, quando utilizada de forma acrítica, contribui para a precarização do trabalho docente e a padronização curricular, ignorando as especificidades locais e subjetivas da educação. Concluímos que é fundamental problematizar os usos da IAGen na produção curricular, garantindo que sua incorporação ocorra de maneira crítica e comprometida com a formação de sujeitos autônomos e reflexivos.
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